O que é rescisão indireta e como funciona? Entenda!

A rescisão indireta, também conhecida como “justa causa do empregador”, é um direito garantido ao trabalhador na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Essa modalidade de encerramento do contrato de trabalho ocorre quando o empregador descumpre suas obrigações legais ou contratuais, permitindo que o empregado solicite a rescisão com todos os direitos que teria caso fosse demitido sem justa causa.

Neste artigo, vamos esclarecer o conceito de rescisão indireta, quais são as condições que a justificam, quando o trabalhador pode solicitá-la e como as empresas podem evitar que ela ocorra.

O que é rescisão indireta?

A rescisão indireta ocorre quando a empresa comete uma falta grave que inviabiliza a continuidade do vínculo empregatício, tornando insustentável a permanência do trabalhador no ambiente de trabalho.

Essa modalidade de rescisão é considerada uma proteção ao empregado diante de condutas abusivas ou ilícitas do empregador, assegurando que ele não seja prejudicado ao deixar seu cargo.

A previsão legal para essa situação está no artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que enumera as hipóteses em que o trabalhador pode considerar rescindido o contrato de trabalho sem perder seus direitos trabalhistas.

A rescisão indireta não ocorre automaticamente, sendo necessário que o trabalhador apresente provas das irregularidades cometidas pela empresa, podendo ser documentos, e-mails, mensagens ou testemunhas que confirmem os fatos.

Siga com a leitura para entender quando é possível solicitar a rescisão indireta!

Quais os motivos que levam a uma rescisão indireta?

Conforme a CLT, as principais faltas cometidas pelo empregador que justificam a rescisão indireta são:

  • Atraso recorrente ou falta de pagamento de salário
    Exemplo: Um empregado que recebe seu salário sempre com atraso ou, pior, não recebe os vencimentos por meses seguidos pode solicitar a rescisão indireta.

Se a empresa alega dificuldades financeiras, mas continua operando normalmente sem regularizar os pagamentos, isso caracteriza descumprimento grave do contrato.

  • Exigência de atividades além do contrato de trabalho
    Exemplo: Um assistente administrativo contratado para lidar com documentação e tarefas burocráticas é constantemente obrigado a realizar entregas externas e serviços gerais de limpeza.

Caso essa obrigação não tenha sido previamente acordada em contrato e o empregado não tenha dado consentimento, pode configurar rescisão indireta.

  • Descumprimento de normas de segurança e saúde no trabalho
    Exemplo: Um operário da construção civil que trabalha sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados e já notificou a empresa sobre essa irregularidade pode requerer a rescisão.

Se a empresa ignora as reclamações e continua colocando seus empregados em risco, a situação pode ser levada à Justiça do Trabalho.

  • Agressão física ou moral contra o trabalhador
    Exemplo: Um chefe que constantemente humilha um funcionário na frente de colegas, utilizando palavras depreciativas e insultos, pode ser enquadrado como praticante de agressão moral.

Da mesma forma, se houver agressão física, como empurrões ou qualquer tipo de violência, o empregado tem direito de buscar a rescisão indireta.

  • Excesso de cobranças abusivas e pressão psicológica
    Exemplo: Um vendedor que sofre ameaças constantes de demissão caso não alcance metas inatingíveis e é frequentemente exposto a constrangimentos públicos pode argumentar que está sendo submetido a pressão psicológica extrema, o que justifica a rescisão indireta.
  • Alteração unilateral de condições contratuais sem consentimento do trabalhador
    Exemplo: Um trabalhador contratado para cumprir uma jornada de 40 horas semanais tem sua carga horária aumentada para 50 horas sem ajuste no salário ou consentimento. Essa mudança unilateral configura violação do contrato.
  • Práticas de assédio moral ou sexual
    Exemplo: Uma funcionária que recebe comentários inadequados de seu superior sobre sua aparência ou é constrangida a aceitar encontros em troca de benefícios no trabalho pode processar a empresa por assédio sexual, pedindo a rescisão indireta.

Da mesma forma, um trabalhador que sofre perseguição excessiva e repetida de um gestor pode caracterizar assédio moral.

  • Redução salarial não justificada ou imposição de jornadas exaustivas
    Exemplo: Um empregado que, sem justificativa, tem seu salário reduzido abruptamente sem qualquer acordo formal ou que é obrigado a fazer horas extras excessivas sem pagamento adequado pode recorrer à Justiça para solicitar a rescisão indireta.
  • Falta de depósitos do FGTS, prejudicando o trabalhador em caso de rescisão
    Exemplo: Um funcionário descobre que a empresa não deposita o FGTS há mais de um ano, impossibilitando o saque em caso de demissão. Se ele comprovar essa irregularidade, pode pedir a rescisão do contrato.
  • Retenção injustificada da carteira de trabalho do empregado
    Exemplo: Após solicitar a devolução de sua carteira de trabalho para registrar uma nova experiência, um trabalhador percebe que a empresa a reteve por semanas, sem justificativa. Esse tipo de conduta configura falta grave e pode ser motivo para rescisão indireta.

Cada um desses exemplos mostra como o descumprimento de obrigações básicas por parte do empregador pode gerar consequências jurídicas, garantindo ao trabalhador o direito de rescindir o contrato sem perder seus benefícios.

Como solicitar a rescisão indireta?

Para que o trabalhador consiga a rescisão indireta e garanta seus direitos, ele deve seguir alguns passos:

  1. Reunir provas: Documentos, e-mails, mensagens, testemunhas ou qualquer outra evidência que comprove as irregularidades cometidas pelo empregador.
  2. Notificação formal: Preferencialmente por meio de uma carta escrita com o auxílio de um advogado ou sindicato, informando a empresa sobre a situação.
  3. Ação judicial: Caso o empregador não reconheça a rescisão indireta, o trabalhador pode ingressar com uma ação trabalhista na Justiça do Trabalho.
  4. Acompanhamento do processo: É importante que o trabalhador acompanhe todas as audiências e esteja preparado para apresentar provas.

Veja a seguir quais são os direitos do trabalhador em caso de rescisão indireta!

Quais os direitos do trabalhador na rescisão indireta?

Se a justiça do trabalho reconhecer a rescisão indireta, o trabalhador terá direito a receber:

  • Aviso prévio indenizado;
  • Saldo de salário;
  • Férias vencidas e proporcionais acrescidas de um terço;
  • 13º salário proporcional;
  • Saque do FGTS com multa de 40%;
  • Seguro-desemprego (se cumprir os requisitos);
  • Indenização por danos morais, se houver comprovação de assédio ou abusos.

Continue lendo e descubra as melhores práticas para garantir um ambiente de trabalho seguro e dentro da lei!

Como o empregador pode evitar a rescisão indireta?

A rescisão indireta pode trazer consequências graves para uma empresa, incluindo ações trabalhistas, pagamento de indenizações e danos à reputação da organização. Para evitar esse tipo de situação, é fundamental que os empregadores adotem boas práticas de gestão de pessoal, como:

  1. Garantir o pagamento em dia
    O atraso no pagamento de salários e benefícios é uma das principais causas de pedidos de rescisão indireta. Além de comprometer a relação de confiança entre empregador e empregado, a inadimplência pode gerar passivos trabalhistas significativos. Para evitar esse problema:
    • Mantenha um planejamento financeiro eficiente.
    • Utilize softwares de gestão para organizar pagamentos e prazos.
    • Priorize a folha de pagamento, garantindo que os funcionários recebam seus vencimentos corretamente.
  2. Cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho
    Proporcionar um ambiente seguro é uma obrigação legal da empresa. O descumprimento das normas de segurança pode resultar não apenas na rescisão indireta, mas também em multas e interdições por órgãos fiscalizadores. Para evitar riscos:
    • Forneça Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados.
    • Realize treinamentos periódicos sobre segurança no trabalho.
    • Faça inspeções regulares para identificar e corrigir possíveis falhas.
  3. Evitar mudanças contratuais sem consentimento do trabalhador
    Qualquer alteração nas condições de trabalho deve ser previamente discutida com o empregado. Mudanças unilaterais, como redução salarial, alteração de carga horária ou transferência sem justificativa, podem levar à insatisfação e processos trabalhistas. Para evitar problemas:
    • Formalize qualquer mudança por meio de aditivos contratuais assinados pelo empregado.
    • Comunique-se de forma transparente com a equipe sobre qualquer alteração.
    • Consulte o setor jurídico ou de RH antes de implementar mudanças significativas.
  4. Regularizar os depósitos do FGTS
    A falta de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) é um dos fatores que mais geram ações trabalhistas. A ausência desses depósitos pode impedir o trabalhador de sacar seu benefício em caso de rescisão, além de resultar em multas para a empresa. Para evitar essa irregularidade:
    • Verifique mensalmente os depósitos do FGTS.
    • Utilize sistemas automatizados para evitar esquecimentos.
    • Caso haja dificuldades financeiras, busque regularizar os pagamentos o quanto antes.
  5. Manter um canal de contato eficiente
    Muitas vezes, problemas internos podem ser resolvidos antes de chegarem ao extremo da rescisão indireta, desde que a empresa esteja aberta ao diálogo.

Um canal de comunicação eficiente permite que os funcionários expressem suas preocupações, denunciem irregularidades e busquem soluções sem precisar recorrer à Justiça. Para garantir isso:

  1. Estabeleça um canal interno de comunicação, como um e-mail exclusivo, um setor de ouvidoria ou uma plataforma de gestão de feedbacks.
  2. Promova reuniões periódicas para ouvir os colaboradores e solucionar problemas antes que se tornem mais graves.
  3. Garanta confidencialidade e seriedade no tratamento das reclamações e denúncias, para que os funcionários sintam segurança em relatar suas dificuldades.

Conclusão

A rescisão indireta é um instrumento de proteção ao trabalhador que sofre com irregularidades em seu ambiente de trabalho. No entanto, é um processo que exige provas e pode necessitar de intervenção judicial.

Tanto empregadores quanto trabalhadores devem conhecer seus direitos e deveres para garantir um ambiente de trabalho justo e dentro da legalidade.

Se você está enfrentando problemas trabalhistas, consulte um advogado para obter orientação adequada sobre sua situação específica. Empresas também devem adotar medidas preventivas para evitar problemas futuros e manter um ambiente profissional saudável.

Se você ficar com dúvidas, é só entrar em contato conosco!

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